Aécio: a não-alternativa da oposição

 1 – Um jovem líder em decadência

 

Aécio Neves fez, no dia 20 de fevereiro, seu segundo discurso na tribuna do Senado em dois anos de mandato. E o fez no mesmo dia em que o PT realizava, em São Paulo, uma festa para celebrar os 33 anos de Partido e os 10 anos de Governo Federal, permitindo aos seus apoiadores da imprensa empresarial colocarem sua manifestação no mesmo patamar de importância da festa do PT.

O Senador mineiro, diga-se, tem sido um fracasso em sua segunda passagem no parlamento. Nos anos FHC, foi um deputado federal de destaque, ocupando a Presidência da Câmara. Era um tucano em ascendência, muito jovem e neto do lendário Tancredo. Tinha tudo para ser Presidente da República numa sonhada eternização do tucanato. Aécio certamente seria a “terceira fase” do PSDB no governo, depois de FHC e de Serra.

Em 2002, se elegeu Governador de Minas Gerais, tendo governado durante os mesmos oito anos em que Lula foi presidente. Cotado para concorrer contra Dilma no seu melhor momento, foi impedido por Serra, que ainda controlava a máquina partidária e organizava as expectativas tucanas de que Lula não conseguiria eleger o sucessor. Só restou a Aécio eleger o sucessor em Minas e rumar ao senado, em votação consagradora. Teria a oportunidade de se afirmar como grande líder da oposição e apostar num desgaste de Dilma. A aposta que antes existia de que Dilma não seria capaz de ser boa candidata se transferia para uma suposta incapacidade dela tocar o governo sem Lula. Nesse cenário, Aécio seria o candidato natural para assumir o governo em 2014, embalado ainda na sua experiência em Minas, com seu “choque de gestão” tão decantado. Era o “neoliberalismo do século XXI”.

Só que nada do que projetam os tucanos desde que deixaram o Governo Federal parece funcionar. Dilma se afirmou e, ao seu modo, manteve a estabilidade política à frente do Governo Federal. Embora existam maiores tensões com a base aliada e com setores do empresariado do que no segundo Governo Lula, ainda assim Dilma surfa em altíssimos índices de popularidade e é candidata favorita à reeleição.

Aécio, por sua vez, se mostra em queda como referência. Não consegue ser sequer o membro mais destacado da oposição a Dilma na casa. Perde por quilômetros para Pedro Taques (PDT) e Randolfe Rodrigues (PSOL), que, goste-se ou não de suas posições, são quadros políticos com capacidade de sinalizar uma alternativa crítica ao Governo, em especial nos temas envolvendo a moralidade pública.

A eleição da mesa do Senado foi exemplo. Aécio silenciou num momento em que os dois citados se apresentaram como alternativas a Renan Calheiros, mesmo sabendo que não tinham potencial para fazer mais que vinte votos. De algum modo conseguiram polarizar publicamente, ocupar espaços de uma imprensa e uma “opinião pública” ávida por ver alguém bater em Renan, num quadro onde o PT pagava a conta da governabilidade. Aécio silenciou, como quase todo o PSDB. Ao final, ficou a nítida impressão de que muitos tucanos “apoiaram”, mas não votaram em Taques, já que 24 senadores afirmaram o voto no pedetista, mas apenas 18 votaram. Nos dias seguintes, era evidente o desconforto dos jornalões com a postura de Aécio. A Folha de São Paulo, em especial, fez a crítica expressa à sua covardia.

2 – O cenário do discurso de 20 de fevereiro

É nesse quadro que Aécio, com todas as mídias voltadas para ele, fez seu pronunciamento. Todo entoado em tom vacilante, quase todo ele lido. Provou que Aécio não emociona ninguém, ficando longe até mesmo de ser um orador destacado, num momento em que a política brasileira nem tem grandes tribunos.

Mas vamos tratar não da forma, mas do “conteúdo” do discurso do principal líder da oposição brasileira.

O “líder” tucano começa repetindo a mesma “churumela” de que “o PT escolheu comemorar seu aniversário falando do PSDB”. Tal reclamação expressa uma visão despolitizada que, infelizmente, “pega bem”, de que “não se deve falar mal dos outros”, em nenhum tipo de debate. Uma exagerada e nefasta forma de reproduzir a velha “cordialidade” brasileira, aliada ao contemporâneo e não menos nefasto “bom mocismo” onde Marina Silva também tenta tirar uma casca.

Debater é comparar projetos, tanto em seus fundamentos programáticos como nos seus resultados. Desde o momento em que o Brasil conseguiu estabilizar sua democracia (com a eleição de FHC em 1994), tivemos oito anos de PSDB e dez de PT. Evidente que comparar as diretrizes programáticas e os resultados de cada período é legítimo e necessário. Por óbvio, só o fará quem entender que leva alguma vantagem nisso.Evidente que ao PSDB, de resultados claramente mais pobres, cabe tentar fugir da comparação, o que faz de modo a parecer que é criminoso “falar do passado”. Não é.

O debate político francês até hoje é pautado pelas marcantes experiências de Charles De Gaulle, que inspirará talvez por mais um século os conservadores, enquanto a experiência de Francois Mitterrand será sempre invocada, para bem ou para mal, quando se falar no Partido Socialista. A política britânica será sempre polarizada a partir da experiência de Margaret Tatcher, queiram ou não os conservadores, que serão para sempre identificados pela liderança da “Dama de Ferro”. Por certo os trabalhistas pagarão a conta e colherão dividendos do seu líder mais expressivo em décadas, Tony Blair. No debate dos Estados Unidos, a mesma coisa: republicanos e democratas vivem a invocar, para ganhar ou tirar pontos do adversário, experiências históricas marcantes. Não há como debater política nos EUA sem pensar em Lincoln, Rossevelt, Eisenhower, Kennedy, Nixon, Clinton ou Bush. O legado negativo de Bush foi fundamental para garantir a reeleição de Obama, de resultados medianos no seu primeiro mandato. A lembrança constante e a comparação de sua serenidade e equilíbrio em relação ao seu antecessor obscurantista foi fundamental para que a maioria do povo (especialmente hispânicos, negros e pobres em geral) optassem pelo “mal menor”, evitando a volta dos republicanos. Essa lembrança de Bush poderá ainda fazer Obama eleger seu sucessor, provavelmente.

Logo, não há nada de errado no fato do PT se comparar ao PSDB e utilizar a experiência dos dois mandatos dos tucanos como elemento de mobilização do seu potencial eleitorado. O povo brasileiro reelegeu Lula em 2006 e elegeu Dilma em 2010 claramente marcado pela comparação dos governos presentes com o passado recente e ruim. Quanto mais tempo o PT conseguir manter a memória desse período vivo no imaginário popular, mais se beneficiará disso. Algo legítimo, afinal.

Embora critique o PT por comparar seus governos com os do PSDB, logo a seguir Aécio passa a cobrar a respeito de temas onde o PT, na sua história de 33 anos, teria optado pelos seus interesses partidários, contrários aos do país. A cobrança, embora contraditória com o que acabara de reclamar, é legítima. Numa democracia felizmente estável, cada um deve ser cobrado pelos seus erros e invocar seus acertos.

Os supostos erros do PT na história, que Aécio invoca, são controversos. Talvez hoje, com a experiência de ser governo e participar de composições amplas e heterodoxas, a maioria do PT agiria de forma diferente diante de tais dilemas. Mas eles foram parte da história do PT e da razão do Partido ter se construído como uma referência no quadro partidários dos anos 80 e 90. Assim, as críticas pelo fato do PT não ter votado em Tancredo no Colégio Eleitoral ou não ter composto o Governo Itamar Franco são legítimas e merecerem um debate à parte, que não é o objetivo aqui. Mas é curioso que Aécio ache errado tratar do início dos anos 2000 e queira pautar o que ele acha errado de posições do PT em 85 ou 88.

Sobre a “Constituição Cidadã de Ulysses”, cabe um parágrafo. Primeiro, caberia informar a Aécio que a Constituição não é “de Ulysses”, mas de todo o povo brasileiro. A figura hábil e respeitada do Presidente da Câmara pode ser sido importante nas mediações, mas a Carta Maior não é dele. Aliás, embora não tenha assinado, ao final, a Carta, o PT teve importante participação no seu debate e formulação, com a presença de Lula, Olívio Dutra, Florestan Fernandes e outras referências fundamentais daquele momento histórico. Embora tenha discordado das suas conclusões, o PT participou vivamente do processo constituinte. Ignorar isso é parte da distorção típica do frágil discurso que Aécio tenta organizar para tentar trazer para ele e para os seus todas as conquistas da redemocratização dos anos 80. Mas até as árvores do Serrado sabem que o PT cumpriu um papel fundamental na construção da democracia brasileira. Queira Aécio ou não.

O discurso segue com “todos vocês conhecem as enormes incongruências do Governo Dilma” e outras afirmações que jogam no seu espectador a responsabilidade de compor um conteúdo que ele não consegue transmitir. O principal líder da oposição do país parece transferir aos seus espectadores a responsabilidade de odiarem o Governo, sem que ele tenha a obrigação de dizer a razão. Só depois começa a desenvolver os tais “13 pontos” de erros do PT que ele diz que “não foi fácil escolher”, pois teria tantos outros. E nos “13 pontos”, Aécio prova, por 13 vezes, sua incapacidade de propor um projeto alternativo de país. Não apenas porque não tem profundidade maior que um pires, mas porque o tempo todo se contradiz em sua própria metodologia de análise.

 

3 – Aécio e seus 13 micos

 

Antes, reclamara que o PT compara os governos sem levar em conta a conjuntura econômica mundial para, no seu “ponto 1”, criticar o baixo crescimento do PIB brasileiro, sem lembrar da crise internacional. É a Europa – e não o Brasil – que vive crise grave nos índices de emprego. Por qual razão Aécio fala no PIB e na inflação (ponto 4), mas não fala do emprego formal nos últimos anos? Devia, ao menos, adotando o método que ele propôs no início, analisar o Brasil dentro de uma conjuntura global. Mas ele esquece a situação da Espanha ou dos EUA, para falar só de duas economias que estão muito pior que a brasileira.

Quando invoca os problemas das estatais (ponto 6), demonstra que é fiel leitor da Folha, porque vai mostrando que sua pauta é a mesma do tradicional jornal dos Frias. Talvez porque os jornalões consigam hoje pensar melhor um projeto alternativo de país do que o PSDB. Mas ignora o que o governo do partido dele fez com o patrimônio público no país. A PETROBRÁS teria sido privatizada, não fosse uma reação forte da oposição à mudança de nome para PETROBRAX, nos últimos anos de FHC (o primeiro passo no processo, como todo mundo sabe). A Vale, que tem uma importância estratégica fundamental para o país está aí, nas mãos da iniciativa privada, graças aos tucanos. Curioso ele vir falar de estatais com todas as recentes revelações do que fizeram sobre a chamada “Privataria”.

Falar ainda em “paralisia do país” (ponto 2), indústria sucateada (ponto 3), o “mito da autossuficiência” (ponto 7) ou do “risco de apagão” (ponto 8) é parte de uma proposital cegueira. Mais uma vez, se utiliza do método de leitura da realidade da imprensa empresarial: apontar limites do país sem lembrar que temos uma história de mais de 500 anos. Risível ter de rebater o tema “risco de apagão”, quando sabemos que foi em 2001 que o país realmente passou pela situação de empresas e residências cumprindo metas de redução de gastos de energia, sob risco de racionamento. Embora as trombetas tucanas, nada disso ocorre agora, mas ocorreu há 12 anos atrás. Como sempre, Aécio tenta analisar o país sem pensar sua história. Ao menos quando não lhe convém.

Evidente que Aécio falaria de ética (ponto 13), embora, estranhamente, o faça apenas nesse discurso sob encomenda. Sua coerência poderá ser vista se e quando o “mensalão tucano” (quem envolve, afinal de contas, o PSDB de Minas Gerais) for a julgamento. Até lá, sempre parecerá a velha história da “pimenta nos olhos dos outros”. Curioso também que Aécio tenha silenciado na eleição da mesa do Senado, evitando se confrontar com Renan Calheiros, tão atacado pela imprensa e outros setores de oposição (com razão, diga-se). Curioso que Aécio nunca falou sobre Carlinhos Cachoeira e Marconi Perillo. A moralidade pública, para Aécio, é algo bem esporádico e seletivo.

Não menos hilário um tucano falar em “desmantelamento da Federação” (ponto 9), quando foi no período deles que tal processo foi mais perverso. Diversos instrumentos de concentração de recursos na União foram implementados nesse período, como a DRU e a Lei Kandir, para falar só de dois mecanismos inventados sob o tucanato.

Se Aécio vivesse a realidade do Brasil profundo (e não apenas a dos bares do Rio de Janeiro), teria já conversado ao menos com alguns prefeitos do PSDB e perceberia que hoje existem diversas formas pelas quais os municípios obtém recursos para além daqueles já vinculados. Por mais que se possa criticar os critérios e achar que existe “partidarização”, se pode analisar a realidade de alguma cidades cujos prefeitos não são governados pelo PT e que tem recebido enorme injeção de recursos federais (Porto Alegre é um caso típico, mas no interior do Brasil isso pode ser ainda mais claramente percebido).

Após os tais “13 pontos”, Aécio volta à sua incoerência habitual, falando em “herança bendita de FHC”, que o PT estaria “exaurindo”. Qualquer debate sério sobre a nossa histórica recente precisa reconhecer o mérito que FHC teve na estabilização da economia, mesmo que sob marcos ortodoxos e excludentes (que, aponta com razão Aécio, foram mantidos por Lula, nos seus primeiros anos). Também é mérito de Fernando Henrique ter sido o primeiro presidente eleito a cumprir integralmente o mandato desde Jucelino. Quase quarenta anos depois, portanto. Para além disso, falar em “herança bendita de FHC” é debochar com a memória ainda viva do país que recebeu um Estado ausente, uma economia desmantelada, uma crise geral de renda e uma exclusão social brutal. Ninguém que não esteja muito contaminado pela posição partidária há de aceitar que o PT está “exaurindo a herança bendita” que recebeu. É deboche, só pode.

O que mais marca o discurso de Aécio é sua distância da realidade. Nenhuma das pautas que escolhe é capaz de sensibilizar setores expressivos da sociedade (talvez só a pauta mais óbvia, da ética). O discurso do tucano é falsamente empolado, formal e economicista (embora seja de um conhecimento de economia que não impressiona ninguém). Aécio nem fala a linguagem do povo, nem supera a profundidade que tem, por exemplo, o Jabor e o Merval Pereira, prováveis inspiradores do seu discurso.

Para além de não falar uma linguagem acessível, Aécio se mete a falar de temas que, para 99% da população, são de uma distância absurda, como as supostas maquiagens contábeis que a Fazenda teria operado e que afetariam a credibilidade brasileira (ponto 5). Um tema como esse não consegue ser entendido (ou não desperta a atenção) nem mesmo por parte dos leitores diários do Valor Econômico. Se a intenção dele é falar para a Banca, cumpre o papel. Se pretende ser ouvido por alguém do povo (ou ao menos da classe média), vai mal.

Talvez tentando se fazer entender, fala superficialmente sobre saúde e educação (ponto 11), sem chegar a aprofundar. Não diz onde mudaria algo. Apenas fala genericamente sobre o país, como sempre. De temas do gosto popular, fala ainda da “insegurança pública” (ponto 10) e elogia a “corajosa posição” de Alckmin na implementação da internação compulsória de usuários de crack. Fica evidente que, na oca mente do tucano, basta gastar dinheiro com armamento para ter um país mais “seguro”, pois suas frases se resumem a criticar que o Governo Federal gasta pouco com a área que, deve saber ele, que já foi Governador, é responsabilidade central dos estados e não da União. Nesse ponto, aliás, Aécio deve saber que a situação mais sensível da segurança pública é no Estado governado por Alckmin, onde a violência policial (como política de Estado) gera uma onda contrária de terror do crime organizado que faz com que o povo paulistano viva sob o medo. O problema aí não é de gastar mais, mas de opções que os tucanos paulistas fazem, de manter até hoje um padrão de policiamento que massacra o povo, que elimina o “inimigo interno” como já fazia a ditadura militar. Tratar segurança pública apenas como volume de recursos é de um primarismo absurdo.

O fechamento do discurso segue na mesma batida: a velha história de que a esquerda tenta cercear a democracia e a liberdade de imprensa, que trata os adversários como “inimigos a serem eliminados”e outras bobagens. Tudo discurso vazio, tudo fora da pauta real do mundo. Como muito bem pontuado pelo Senador Lindbergh Farias (PT-RJ) em seu aparte, em nenhum momento do discurso de Aécio se ouviu falar em “povo, pessoas, gente, emprego, miséria, inclusão social”. Em uma frase, sintetizou Aécio e o espírito do PSDB na sua leitura do país. O partido que governou afastado da realidade do povo faz oposição pensando apenas na lógica de sua cada vez menor base social. O discurso de Aécio é a expressão de uma oposição alienada, que não se desafia a pensar um projeto alternativo. E que, aliás, parece cada vez esvaziar mais o conteúdo das suas próprias críticas anteriores, como forma de, talvez, parar de perder a já diminuta base eleitoral potencial. Afinal, onde foram parar as críticas aos programas sociais do Governo, as duras críticas às cotas? Nesse ponto, parece que Aécio preferiu ignorar Merval, Marco Villa e Demétrio Magnoli. Afinal, falar de modo que o povo não entenda até faz parte da fantasia tucana. Mas seguir falando aquilo que afronta totalmente o interesse do povo, talvez Aécio vá tentar esconder, pra evitar se isolar ainda mais do imaginário popular.

Cada vez mais, Aécio e o PSDB parecem distantes da pauta real do Brasil. Cada vez mais, quem quiser derrotar o PT, precisará se abraçar a outras alternativas. Talvez por isso Eduardo Campos e Marina Silva sejam tão incensados: pelo menos são líderes que entendem um pouco melhor o país onde vivem.

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  1. #1 por Roberto Carlos Grillo Ragagnin em fevereiro 22, 2013 - 3:06 pm

    Muito bom texto!! De primeira!

  2. #2 por Analine em fevereiro 24, 2013 - 2:30 pm

    boa análise Márcio e ótima redação. Aécio se apresenta como a potencial pior experiência federal tucana nas urnas, me parece que o tombo dele será maior que de Serra e Alckmin, considerando as outras possíveis candidaturas da Marina e do Eduardo Campos. Aécio é um playboy fácil de ser desmontado e sem discurso se desenha como o pior de todos.

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